19 de Dezembro de 2007

Felicidade de plástico

Dou-lhe um tiro! Ai pois dou! Que eu veja um velho de barbas brancas e vestido de vermelho a tentar descer pela minha chaminé... ora se dou! Mas é que nem penso duas vezes! E ainda lhe atiço os cães quando ele cair!

Todo este alvoroço em volta dos dois meses e meio de ultra-consumo vulgarmente denominado por Natal chateia-me um bocado. É que não se pode passear nem passar em lado nenhum sem levar com um "feliz Natal"! Mas só durante este período. Nunca ouço alguém dizer "tenha um feliz Janeiro" ou Fevereirou, ou Março, ou "tenha um feliz... dia" ao menos. Ok, com excepção daquela simpática bomba de gasolina da Galp que me deseja sempre um dia positivo.

Será que tem vantagens fingirmos que gostamos de toda a gente durante 15% do ano? Você lembra-se daquele puto ranhoso que lhe roubou o dinheiro do almoço durante 5 anos seguidos na escola básica? Vá, deseje-lhe um feliz Natal! Que tudo lhe corra bem e que ele receba muitas prendinhas! Àquele engatatão que lhe roubou a namorada três vezes no secundário! Ao patrão que lhe cortou o subsídio de férias para metade e acabou com a remuneração das horas extra! Diga-lhe "boas festas"!... Não é fácil, pois não?... Agora percebo porque é que os ursos hibernam.

É uma "felicidade de plástico". As pessoas andam mais felizes só porque sentem que é altura de o fazer. O sentimento prolonga-se até aos primeiros quinze dias de Janeiro, quando ainda toda a gente anda a desejar Feliz Ano Novo às pedras da calçada, ao cães, aos gatos, aos periquitos, aos marcos de correio, enfim... a tudo o que se mexa ou não.

Proponho o inverso do Natal! Um Dizmal! Quero 2 ou 3 meses para poder dizer às pessoas o que realmente penso delas. Para poder chamá-las de tudo, para poder insultá-las livremente, à família delas, aos antepassados, aos animais de estimação, aos amigos delas. Para pregar partidas daquelas ofensivas, como meter bananas (e podia ser outro fruto qualquer) nos canos de escape dos carros de quem não gosto, despoletar bombas de mau cheiro em locais hiper-lotados (como os transportes públicos ou as casas-de-banho das discotecas). Para poder mandar o meu chefe para os sítios mais recônditos do corpo humano sem a ameaça de um processo disciplinar e de despedimento por (alegada) justa causa. Como era "Dizmal", ninguém levava a mal... Chamemos-lhe um período anual de descompressão. Sei que seria um período complicado para muitos psiquiatras por falta de trabalho, sendo que extravasar os sentimentos é a melhor forma de terapia. Julgo mesmo que poderia ser a época mais concorrida e mais esperada de todo o ano. Eu, pelo menos, vibro (não como um massajador facial) só de pensar nas alegrias e no intenso prazer que tal período me traria.

E até podia ser logo depois do Natal, que era para poder esvaziar toda aquela hipocrisia que se vai acumulando durante as festas.

Estará o leitor a pensar: "Olha-me este... fica meia dúzia de meses sem aparecer e volta com atitude! Deve estar naquela altura do mês!"** Puro engano. O Jhurnalisto é assim o ano todo.

Esta é a proposta do Jhurnalisto para um mundo melhor, mais justo, mais equilibrado, mais Yin & Yang. No fundo, um mundo mais... real. Pensem nisso. Se quiserem, façam circular um abaixo-assinado, fundem uma associação, criem uma fundação, mas por favor... não me desejem um Feliz Natal!

Ghis revido

PJ

** Entenda-se por "aquela altura do mês" o período entre os dias 9 e 25, quando o cidadão, depois de pagar as dívidas, as prestações, o colégio dos putos, o ginásio, a luz, a água, o gás, a TV Cabo, o telemóvel, a internet, os arrumadores e o canalizador que veio arranjar pela décima vez o cano roto na casa-de-banho, apercebe-se que ficou com 33 cêntimos para poder esbanjar nas duas ou três semanas do mês que lhe faltam.

31 de Agosto de 2007

"O monstro de pernas curtas e nariz comprido"

Já dizia o infame João Pedro Pais: "é mentira"! Ora, se um "artista" deste gabarito percebe, também o compreendem os meus cães, os periquitos, até mesmo a barata que esborrachei ontem contra a soleira da porta. "Ela" existe e anda por aí. De onde menos se espera... ZÁS!! Aparece a dita cuja para baralhar as cartas todas e logo agora que já tínhamos dois ases, um rei e um dez de ouros.


A mentira, essa figura de estilo utilizada em recurso por alguns e por sistema por outros nunca há-de ser eliminada e goste-se ou não, às vezes é mesmo necessária por uma questão de orgulho: se um adepto do Barcelona ou do Man Utd se chega ao pé de um benfiquista e diz-lhe "o meu clube é maior que o teu" está claramente a mentir, mas por uma questão de orgulho, de crença.Agora, quando "ela" é utilizada, o autor da proeza verbal tem que estar consciente das repercussões que o acto pode ter (e certamente terá).


Imagine-se que Julieta, ao ver Romeu aparentemente sem vida não se tinha suicidado...


"Então, foste morrer, pá? Eu disse que gostava de ti até à morte, mas não era para levares isso a peito! Era mais um gostar muito, mas até que aparecesse outro gajo com mais tempo para me aturar. Bem... Deixa cá ver o que é que está a dar na Fox."


Sabendo de fonte segura que Shakespeare ainda foi confrontado com esta opção, o autor inglês optou por matar toda a gente só para não ter de usar a falsidade de sentimentos numa "estória" que sabia ter potencial para captivar e inspirar meia dúzia de almas perdidas pelas obras literárias da época.


"Ela" fica com quem a profere, por uma ou por outra razão, mas fica sempre com quem a "costurou". Mas relembro que é uma daquelas coisas tipo "osga": não sai com facilidade. Aliás, deve ser mais fácil ver o Sporting campeão novamente do que se conseguir confiar em alguém que sabemos nos ter mentido. Eu disse o Sporting? Hum... Mudemos isso para o Cascalheira.


Não possso deixar de relembrar aqui essa figura ímpar da pornografia dos anos 50, Pinóquio. Sim porque aquele nariz devia ter mais aplicações do que apenas a identificação da falsidade. Quem sabe, uma perspectiva de carreira para alguns dos mais frequentadores da figura de estilo...


PJ

19 de Julho de 2007

Nas asas da morte

Hoje morreu mais uma pessoa ao guiador de uma mota. Só por si equivale a dizer que a relva cresceu mais 1 milímetro no jardim da vizinha do lado ou que o Porto acabou um jogo com menos um jogador por expulsão. É banal, comum e já não surpreende ninguém.

Aí está o problema. Como qualquer "gajo que é gajo" tem de sentir a adrenalina a envolver por completo os testículos para levantar o pé (ou a mão) do acelerador, muitas vezes o dito testículo é grande demais e acaba por não dar tempo suficiente para a sensação o percorrer inteiramente. Resultado: Agência Funerária Chagas! (patrocínio contratualizado por 2 anos com o Jhurnalisto)

Ora, o sucedido é mesmo uma chaga, primeiro, porque "estar morto é diferente de estar vivo", como dizia uma certa pseudo-personalidade de peles esticadas e dentadura arreganhada. Mas diferente no mau sentido: não se come, não se bebe, não se vê, não se ouve, não se sente, não se f... Bem, dá para perceber, não dá? Digamos que é difícil fazer passar o tempo. Ainda por cima o apartamento para onde nos mandam costuma ser apertado. Aquela caixinha mal dá para uma pessoa, mais as térmitas, as larvas, as minhocas, as formigas, os ratos, as baratas e os violadores de túmulos.

Depois do "estágio" por terras de Portugal (literalmente), há quem diga que o povo vai para um de dois destinos: Céu e Inferno. Ora, qualquer uma das opções acaba por ser uma má escolha.

No Céu a coisa parece ser meia parada: tudo de branco, tudo feliz e contente, tudo a dar-se bem uns com os outros... Mas quem é que não gosta de uma picardia de vez em quando? Quem é que não sente aquele prazer sádico ao ver a cara do amigo do peito quando o nosso clube vence o dele na final do campeonato e ainda por cima com um golo roubado já depois dos descontos, marcado com a mão, depois de bater nas costas do árbitro? Quem é que não gosta de difamar o Governo? De chamar nomes às minorias étnicas, religiosas, políticas e culturais? Para além do mais, circula o boato que os anjos não têm sexo... e se não têm... NÃO HÁ!

O Inferno seria, em teoria, o contrário. Aos apologistas da teoria que a alminha do pecador vai arder por toda a eternidade contapõem os apologistas da versão "light", com promessas de festa o dia todo, nudez obrigatória, sexo sem limites e sem doenças venéreas. Mas há inconvenientes: o rabo tipo macaco só por si já é desmotivador e ao que parece todos os diabos são coxos, já que se fazem acompanhar sempre de uma forquilha, tipo bengala. Para além disso, há um ponto em que todas as teorias dantescas estão de acordo: o calor! É coisa para ser mais de 70º à sombra! Para quem já foi ao centro do Sahara, sabe que mais do que 50º não é suportável durante 30 segundos sem nos dar logo uma vontade de urinar pra cima de nós próprios para arrefecer, muito menos durante uma eternidade.

Sendo que qualquer um dos cenários se afigura pouco desejável para a maior parte dos mortais, a opção correcta seria ficar neste mundo, com todos os defeitos que possa ter (e tem). Para isso, os cavalheiros que têm como hábito pisar ou rodar o acelerador até ao fundo para ver quantos dígitos conseguem meter no velocímetro terão que fazer adaptações, principalmente à zona do córtex cerebral que permite a idiotice. Por exemplo, a de acelerar pelas estradas fora como se o mundo acabasse às 4:15 da manhã. Sim, porque ao que parece, para esses cavalheiros, o capacete não serve de nada, já que não há nada dentro da caixa craniana para proteger...

O Jhurnalisto é motard, mas não é inconsequente e sabe que a mota não é um avião (apesar de ser um maquinão do catano!).

Ghis revido,

PJ

P.S. O Jhurnalisto sabe de fonte segura que o Purgatório não existe.

12 de Julho de 2007

COMUNICADO

Por esta altura o grande público estará a pensar: "querem ver que os escribas do Jhurnalisto morreram? Querem ver que o esforço de "massa cinzenta" foi demasiado e os rapazes tiveram uma diarreia cerebral?" Errado!

Depois de escrito o 2º capítulo do livro do Jhurnalisto, a poderosíssima central informática que detinha o 2º e confesso, parte do 3º capítulo, decidiu avariar com um tipo de erro muito raro, denominado tecnicamente como "burrice-de-deixar-líquidos-em-cima-do-pc-e-que-depois-vertem-e-fritam-o-sistema".

Ora, como os 51.389 caracteres não se voltariam a escrever sozinhos, o Conselho de Administração decidiu pedir aos escribas que voltassem a escrever tudo de novo. Passado o tempo de luto pelo suicídio em massa dos rapazes da caneta, o C.A. decidiu retirar todo e qualquer vestígio do Livro do Jhurnalisto, pelo menos até conseguir regatear os direitos de autor, que por os escribas já não estarem entre nós (e aqui entre nós estarão por esta altura a apodrecer nas profundezas do inferno mais quente que possa existir), torna a coisa bem mais complicada.

Sendo assim, o Livro do Jhurnalisto vai continuar a aceitar sugestões através do mail do Jhurnalisto, mas apenas será retomado em data a anunciar por este Conselho de Administração. Até lá, o blog retoma hoje mesmo a actividade normal.

Ghis revido,

O Conselho de Administração

PJ

27 de Março de 2007

Yosemite Sam - O Astro!

É o personagem mais engraçado que Friz Freleng criou para a Warner Bros. Dizem-no os escribas do Jhurnalisto, portanto, deve ser verdade! A personagem nasceu em 1945 e foi apresentada no desenho animado "Hare Trigger". Pistoleiro barbudo, mal disposto, mal falante, mal educado, mas bem pensado, Yosemite Sam esteve sempre na sombra de Bugs Bunny, mas nunca devendo nada à comédia do coelho. Sam é protagonista da cena mais engraçada alguma vez desenhada no espectro televisivo. É a opinião dos escribas do Jhurnalisto, portanto, deve ser verdade! Este cartoon (usar um estrangeirismo é sempre in (olha outro!)) chama-se Sahara Hare, onde Sam, como não podia deixar de ser, contracena com Bugs. Apesar do mega-processo envolvendo o YouTube e uma associação de direitos de autor nos Estado Unidos, o Jhurnalisto conseguiu, a troco de alguns milhões de dólares, oito favores sexuais da boazona da Maria da contabilidade, cinco cabras, duas ovelhas e a promessa de que Portugal não manda mais tropas para o Iraque, autorização para reproduzir este vídeo nas nossas instalações.

Enjoy!
(Pipocas não incluídas)



PJ

8 de Março de 2007

RTP x 50


Por ser a primeira, por ser a maior, por ser a mais lembrada, a menos esquecida, por ter estado sempre, por nunca ter faltado, por ter os melhores, por não esquecer os piores, por dar e por receber, por mostrar o que todos querem e por não esconder o que ninguém quer ver, por resistir, por avançar, por se abrir, por existir, por ser minha e sua, por ser de todos e de cada um. Simplesmente por ser... RTP.





PJ

4 de Março de 2007

Charaaaam!

E pronto, após dura batalha legal entre os escribas (preguiçosos, ranhosos, lentos, porcos, feios e maus) e o Conselho de Administração, é chegada a hora de renovar o Jhurnalisto.

Escusado será dizer que os escribas ganharam o caso e sacaram tantos euros de indemnização ao antigo Conselho de Administração, que tais elementos podem ser vistos por estes dias junto à rotunda do relógio a lavar vidros dos carros e a dormir junto aos caixotes de lixo do Estádio de Alvalade.

Sendo assim, impunha-se uma mudança de visual, mais adaptada à realidade literária dos vencedores do processo (doravante denominados CAMPEÕES).

A folha amarelada, já quase comida pelos ratos, com o tradicional cheirinho a naftalina espelha bem a dura missão de quem dia após ia luta para ter melhores canais na TV Cabo...eerrr.... aliás, para derramar sabedoria de milhares e anos através da caneta em punho (ou das teclas nos dedos).

Para este novo ciclo do Jhurnalisto, o recém-auto-nomeado Conselho de Administração promete Ferraris, cruzeiros, écrans de plasma, mulheres nuas, palhaços e elefantes trapezistas. Como a encomenda foi feita ao Taiwan, pode demorar um bocadinho a chegar, mas é garantido (ou não...)!



PJ